Após um breve hiato.
Nesse período de transição, pude observar algumas coisas. Dentre elas, e talvez a mais triste, seja e de que tudo está errado e ninguém se importa com isso. Ou, então, a de que quase tudo está errado e pouco gente se interessa pelo assunto, pois, afinal, no dos outros é colírio.
Digo isto pois talvez faça parte, dentro em breve, da classe dos advogados. E, para tanto, tive que passar pelo Exame de Ordem.
Para os que desconhecem, convido-os a dar uma olhada nos locais onde são aplicadas as provas, especialmente as da segunda fase, onde é facultada a consulta bilbiográfica. (vamos deixar claro que, embora o edital diga que a cosulta é facultativa, experimenta ir sem um livrinho para a prova...)
A cena é deprimente: centenas de examinandos andando de um lado para outro, carregando malas, maletas e caixas com livros; alguns, até, com coleções inteiras na bagagem. Dor nas costas pegada no dia seguinte.
O que me vinha na cabeça era "porra, tu passa cinco anos se fudendo e tudo se resume a isto: uma pilha de livros, a conta bancária no vermelho e seja o que Deus quiser". Sim, pois qualquer risco no livro pode acarretar a eliminação sumária do candidato.
Se muitos tivessem a oportunidade de vislumbrar a cena, sem dúvidas, tentariam outra profissionalização.
Muitos alegam a inconstitucionalidade do exame com base no artigo da Constituição que diz que ninguém pode ser obstado de exercer profissão e blá blá blá.
Entretanto, o ponto me parece outro: por que raios tão-somente os bacharéis em ciências jurídicas e sociais (o sociais é só para constar, ok?) são obrigados a passar pelo certame?
Me pergunto qual seria o resultado de um "exame de ordem" nos médicos, engenheiros, professores, deputados, ministros e presidentes.
Não estou, de forma alguma, criticando o exame. Acredito que, do jeito que a barca vai, alguma coisa deve ser feita, sim. Contudo, e nas outras profissões? Ou será que o câncer da sociedade seja o advogado?
Recentemente houve uma tentativa de instituir o "exame de ordem" nos médicos. Ato contínuo, houve chiadeira, queima de instrumentos cirúrgicos em praça pública e narizes de palhaço em passeatas pelo centro de Porto Alegre. Ora, um absurdo, diziam eles. Talvez é porque saibam do resultado catastrófico...
Enfim, no dos outros é colírio.
E o osso é de costela. De dinossauro!